Cinco razões que podem dificultar uma maior conexão com os filhos

A gente ama os filhos, fato. Mas nem sempre é fácil estar, acalentar, orientar, enfim, exercer os cuidados e vivenciar a relação com a criança. Às vezes a gente cansa e, no meio desse cansaço, a conexão se perde um pouco.

Ao longo da minha jornada como mãe de dois, psicopedagoga e educadora parental certificada em disciplina positiva, identifiquei cinco razões pelas quais muitas vezes as mães não conseguem estabelecer uma maior conexão com os filhos (falo sobre as mães porque sou uma e trabalho com elas, mas a reflexão vale também para pais e outros cuidadores). Vamos a elas:

Razão nº 1 – Você está cansada, exausta e sobrecarregada.

Ninguém pode dar aquilo que não tem. É muito importante que os cuidadores das crianças sejam também cuidados, pois eles precisam estar minimamente nutridos em relação às suas necessidades para que possam exercer sua função de cuidar (lembrando que cuidar não é apenas dar banho, comida, trocar fraldas e envolve também toda a parte afetiva, psicológica, emocional etc).

Se você é a principal cuidadora de uma ou mais crianças (e normalmente a mãe é), esqueça a culpa de se sentir fraca, incapaz, desequilibrada. Sua tarefa é enorme e complexa! Comece por acolher a si mesma. Tente criar uma rede de apoio, entre em contato com família, amigos, vizinhos, todos aqueles que você acredita que se importam com você e com a criança, compartilhe afetuosamente o que está acontecendo, diga claramente quais são as suas necessidades de apoio (investigue primeiro dentro de você, se for preciso) e peça genuinamente. Pode ser que alguns não tenham disponibilidade em ajudar, mas provavelmente outros terão. Qualquer apoio será bem-vindo.

Com apoio, muito provavelmente sua vida vai ficar mais fácil e você estará mais tranquila, mais descansada e plena para cuidar do seu maior tesouro. Daí, muito mais fácil estabelecer uma conexão.

[Se você tem uma relação próxima ao principal cuidador de uma criança, ofereça seu apoio, pergunte do que essa pessoa precisa para ter suas principais necessidades atendidas. Não tente adivinhar, pois somente a própria pessoa poderá apontar suas prioridades.]

Razão nº 2 – Você está ansiosa, preocupada, desconectada do momento presente e, por isso, não consegue dar presença para o seu filho.

Junto com o filho, nasce a culpa da mãe. Nascem os medos, as preocupações, o peso da responsabilidade. Além disso, temos os palpiteiros de plantão, que nos convencem de tudo que “temos que” para sermos boas mães. Ora, tudo o que nós queremos depois que temos filhos é sermos boas mães! Porém, é muito difícil e desgastante tentar seguir essa cartilha toda da “boa maternidade”.

A boa notícia é que está tudo bem. Não, você não precisa seguir toda a cartilha, aliás, não precisa seguir nada que você não queira ou que não faça sentido para você. É importante e maravilhoso ter acesso a tanta informação hoje em dia, através da internet e do compartilhamento de ideias, porém pode ser opressor tentar se enquadrar nessa tal cartilha. É a informação (e informação de qualidade, claro) que deve nos servir, e não o contrário. Nós não somos obrigadas a nos e encaixar em nada para sermos aceitas (ou, pior, para aceitarmos a nós mesmas).

Então, fica combinado que nós fazemos o que podemos; e isso já é muito bom. Vamos atrás de informação de qualidade, vamos formar nossas redes de apoio (presenciais e virtuais), mas vamos vivenciar tudo isso como possibilidades, como escolhas e não como mais uma obrigação.

Lembrando que ser leve e ser feliz são os primeiros passos para uma maior conexão com os nossos pequenos.

Razão nº 3 – Você está muito empolgada com alguma outra coisa e não quer “perder tempo” cuidando das crianças.

Vamos ser sinceras… nosso campo de interesse vai muito além do tema “filhos”. Normalmente quando eles nascem, ficamos totalmente focadas. Porém, mais cedo ou mais tarde (algumas de nós mais cedo, outras de nós mais tarde) começamos a perceber que existe vida além dos filhos e (pasmem!) começamos a desejar ter um outro propósito em nossas vidas que não apenas cuidar das crianças. Queremos nossa vida de volta! Ou uma vida diferente da que tínhamos antes de nos tornarmos mães, mas de qualquer forma, queremos produzir, estar com outros adultos, buscar novas possibilidades. Mas as crianças estão ali, querem atenção, precisam ser cuidadas. E aí, como é que fica?

Bom, as crianças precisam mesmo de dedicação, atenção, cuidado e afeto, às vezes mais do que nos sentimos dispostas a dar em um determinado momento. E essa conta precisa fechar. Então, é preciso realmente criar um esquema, uma estrutura para que elas recebam isso de outras fontes quando o principal cuidador precisa “voar” um pouco. O companheiro (ou companheira) pode ficar mais disponível em alguns momentos? É preciso encontrar outro cuidador afetuoso para algumas horas do dia? Colocar meio período na escola seria uma possibilidade? Cada família precisa encontrar sua forma de prover os cuidados necessários com as crianças, sem que isso sobrecarregue ninguém e de forma que todos possam encontrar um equilíbrio entre cuidar e cuidar-se. Porque a verdade é que a conexão também se perde quando a gente não queria estar ali com as crianças, e sim em algum outro lugar, fazendo alguma outra coisa.

Razão nº 4 – Você acha que a criança está manipulando você e apresentando um comportamento inadequado.

“Ele faz isso para me manipular” ou “para me provocar” ou “só porque ele sabe que não pode”. Essa é uma crença de muitas mães e para desconstruir essa crença precisamos investigar se isso é mesmo verdade.

Bem, nossas ações são sempre motivadas por alguma de nossas necessidades humanas, certo? Nós desejamos algo, necessitamos de algo, nos sentimos compelidos a algo e por isso fazemos algo. Funciona mais ou menos assim. E a maioria de nós, adultos, muitas vezes faz uso de estratégias erradas para conseguir o que deseja e é assim que muita confusão acontece. Queremos que o outro adivinhe nossas necessidades quando muitas vezes nós mesmos não conseguimos identificá-las com clareza.

Se nós, com nosso cérebro racional já desenvolvido, caímos nessa armadilha, será que as crianças serão capazes de identificar seus sentimentos, compreendê-los, trabalhá-los de forma positiva e ter uma conversa racional e pacífica conosco explicando seus pensamentos, sentimentos, necessidades e desejos, ou seja, todo o conteúdo que está por trás do “mau comportamento”? Eu acho que não. Provavelmente, dependendo da idade, vão morder, gritar, bater, jogar as coisas longe, chorar desesperadamente ou bater a porta do quarto. A não ser que a gente consiga compreender todo esse processo, se trabalhar internamente, ser modelo para elas e, aos poucos, ensiná-las formas positivas de extravasar e de estabelecer uma comunicação não violenta com as pessoas.

Pareceu difícil? Sim, é difícil! Educar envolve um processo transformador de autoeducação e por isso um filho é um enorme presente da vida para cada um de nós! Mas fácil não é mesmo não…

Razão nº 5 – Você está confusa, perdida sobre o tipo de educação que deseja dar, oscila entre o autoritarismo e a permissividade, e acha que nada funciona.

É verdade, sem informação de qualidade e sem rede de apoio fica muito difícil mesmo. Se você está aqui neste blog, provavelmente já sabe que existe uma abordagem de educação alternativa ao autoritarismo e à permissividade, que é a disciplina positiva.

Se você se sente confusa em relação a como conduzir a educação dos seus filhos e, repetidamente, vive momentos em que não sabe como agir, talvez você possa investir mais em conhecer e praticar a disciplina positiva. Além de consolidar os conceitos da educação positiva (o porquê de tudo isso), a disciplina positiva conta com mais de 50 ferramentas práticas que você pode implementar com seu filho no dia a dia.

Não existe fórmula mágica, e a disciplina positiva não vai trazer nenhuma solução milagrosa para a sua casa, mas certamente vai apontar um lindo caminho de afeto e respeito, e ajudar você a resgatar (ou a estabelecer) uma maior conexão com os seus filhos.

E se você sente que precisa de apoio nessa jornada, venha para o nosso Núcleo de Estudos sobre Disciplina Positiva e Desenvolvimento Infantil (gratuito e online). Segue link do Facebook para você solicitar a sua entrada no grupo. Espero você lá!

https://www.facebook.com/groups/184832768586295/

 

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Juliana Cidade

Juliana Cidade Cardoso é mãe de dois meninos, psicopedagoga e educadora parental certificada em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Atua como consultora de educação positiva através de atendimentos presenciais em grupo (Rio de Janeiro) e individuais online. Ministra cursos, palestras e workshops sobre Disciplina Positiva.

Website: http://www.universodascriancas.com.br

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