Como nos comunicamos com as nossas crianças?

Ando refletindo sobre a forma como nos comunicamos com nossos filhos, ou com as crianças, de maneira geral. Converso de maneira aberta, escutando de verdade, percebendo aquela criança e o que ela traz naquele momento ou escuto o que ela diz já pensando no que vou responder e em que estratégia vou usar para fazer com que ela faça o que eu quero que ela faça?

Como facilitadora da Disciplina Positiva, sou uma entusiasta das ferramentas, não estou falando contra o uso das estratégias positivas para se educar uma criança. A Disciplina Positiva dispõe de mais de 50 ferramentas e eu as utilizo com meus filhos, trabalho-as com as minhas clientes; são maravilhosas e nos abrem um mundo de possibilidades. Porém, eu sempre falo o que para mim é uma verdade irremediável: o uso de qualquer ferramenta sem uma conexão verdadeira é vazio.

Quando ouvimos de fato, percebemos o quanto o mundo interior de uma criança é rico e vivo. Como ainda estão conhecendo o mundo, elas não trazem ideias preconcebidas, verdades lógicas absolutas. Assim como fazem quando aprendem a linguagem, elas vão testando hipóteses sobre como funciona o mundo e como são as pessoas. O discurso e as atitudes delas são baseados em como enxergam o mundo naquele momento, e de acordo com a interação que eles têm com as pessoas (outras crianças, mas principalmente os adultos que são referências importantes), vão reorganizando seus pensamentos e reformulando suas hipóteses.

Estão construindo suas personalidades, e esse processo não é estanque, pelo contrário, é puro movimento. Quem é meu filho hoje? O que essa criança me traz hoje? Que hipótese ele está formulando hoje sobre o mundo e as pessoas? Como está o mundo interno do meu filho hoje? Para conhecê-lo, para conhecer a criança real (e não a minha criança idealizada, essa eu já conheço muito bem), eu preciso verdadeiramente enxergar e ouvir.

É lindo quando a gente entende isso e se abre para esse processo. Nós somos mentores dos nossos filhos, precisamos guiar, ensinar, proteger, treinar. Porém, nossos filhos são nossos mestres. Com eles, podemos refazer esse caminho de repensar tudo, jogar fora o que não presta e entender o que realmente precisamos desenvolver para viver uma vida mais de acordo com nossos valores e nossa essência.

Vamos olhar abertamente para nossos filhos? Vamos ouvir nossas crianças? Sem julgamentos, sem pensamentos carregados de rótulos, sem partir do princípio de que são malcriados, terríveis, agitados, mimados, problemáticos, impossíveis? Vamos perceber o que eles estão trazendo, o que está pulsando em seus coraçõezinhos e em suas mentes? É um exercício que traz um ganho enorme para a relação, além de ser divertido, pois eles falam coisas incríveis e maravilhosas. Uma criança enxergada e ouvida sente que é importante e aceita. É disso, primordialmente, que elas precisam. E nós também.

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Juliana Cidade

Juliana Cidade Cardoso é mãe de dois meninos, psicopedagoga e educadora parental certificada em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Atua como consultora de educação positiva através de atendimentos presenciais em grupo (Rio de Janeiro) e individuais online. Ministra cursos, palestras e workshops sobre Disciplina Positiva.

Website: http://www.universodascriancas.com.br

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