O Fantástico Mundo das Crianças na Fase Pré-Escolar

Há quem pense que crianças são adultos em miniaturas e, portanto, insista em tratá-las como tal. Alguns pais e mães, mesmo que bem-intencionados, pecam em ignorar totalmente as etapas do desenvolvimento infantil, principalmente nos primeiros anos de vida da criança. Por vezes exigem determinado comportamento de uma criança pequena ou nutrem certas expectativas a seu respeito que ela é, simplesmente, absolutamente incapaz de corresponder, pois não tem ainda maturidade cerebral, cognitiva ou psicossocial para tal.

Para uma melhor compreensão acerca do fantástico mundo das crianças pequenas, seguem as principais características da criança na fase pré-escolar (que vai de zero a seis anos de idade):

Características do desenvolvimento psicomotor: Na primeira infância, que vai de zero a três anos, a criança apresenta um acelerado crescimento físico. Enquanto sua estatura será definida geneticamente, o desenvolvimento da psicomotricidade dependerá tanto da maturidade cerebral quanto de aspectos ambientais. Sendo assim, é muito importante que os cuidadores e educadores estimulem suas crianças, criando um ambiente repleto de atividades ricas, variadas e interessantes.

Na segunda infância o crescimento físico já não é mais tão acelerado. No entanto, há um enorme progresso na maturação do cérebro e, com isso, grandes progressos também no desenvolvimento da coordenação motora fina. Nesta fase, completa-se o processo de controle da urina e das fezes; o controle esfincteriano. A criança tem necessidade de muita atividade física, assim como de espaço e tempo para exercitar o livre brincar (que funciona como um “treino” para futuras atividades de vida afetiva e social).

Uma estimulação possível que o adulto poderia oferecer a uma criança na segunda infância, por exemplo, seria traçar uma linha reta no chão e propor atividades como andar por cima da linha, pular de um lado para o outro da linha, rastejar na linha, enfim, trabalhar o corpo e a coordenação motora grossa em uma divertida brincadeira dirigida.

Características de pensamento (aspectos cognitivos): De acordo com Piaget, até aproximadamente os dois anos de idade, a criança se encontra no período sensório-motor do desenvolvimento cognitivo, o que significa que ela entende o mundo por meio de seus movimentos corporais e de suas percepções. Em torno com dois anos, ocorre a transição para o período pré-operacional, no qual a criança começará a desenvolver a capacidade de representar mentalmente objetos e ações na memória. Não por acaso, essa fase coincide com a aquisição da linguagem, pois já existe um amadurecimento cerebral que possibilita esse processo.

Na segunda infância, portanto, a criança encontra-se no estágio pré-operacional, no qual seu funcionamento intelectual é pré-lógico. A criança apresenta pensamento egocêntrico na fase pré-escolar, onde só considera válido seu próprio ponto de vista, mostrando-se insensível aos pontos de vista diferentes do seu. Um exemplo que explica a limitação do raciocínio da criança nesta fase é a irreversibilidade do pensamento; uma menina nesta fase que tem uma irmã é capaz de compreender que tem uma irmã, mas não que sua irmã tem uma irmã. (A criança se vê do olhar centralizador do ego, não consegue se distanciar e perceber que ela também é “irmã”, se olharmos pelo ponto de vista da outra.)

Características dos aspectos sociais: Na primeira infância, a criança busca em seu principal cuidador (que normalmente é a mãe) o vínculo primordial do qual necessita. Esse vínculo afetivo também é chamado de “apego” e tem papel fundamental para o desenvolvimento da criança pequena.

Na segunda infância, juntamente com o desenvolvimento da linguagem é possível perceber o desenvolvimento também da personalidade da criança. Ela começa a desenvolver um autoconceito acerca de si mesma e sua identidade. Este processo está muito ligado às suas roupas e objetos pessoais. A criança desenvolve a noção de si mesma como alguém diferente dos demais e tende a se opor àquilo que não é do seu agrado.

Um exemplo de como a criança vivencia as relações sociais nesta fase é em seu “treino” do brincar. Nas brincadeiras de faz-de-conta a criança desempenha diversos papéis e, neste exercício, vai desenvolvendo maior e melhor entendimento sobre as noções de respeito, hierarquia, autoridade etc.

Cadastre-se na nossa Lista VIP e baixe gratuitamente o e-book SOS Disciplina Positiva: novas ideias para antigos desafios na educação dos seus filhos.

Juliana Cidade

Juliana Cidade Cardoso é mãe de dois meninos, psicopedagoga e educadora parental certificada em Disciplina Positiva pela Positive Discipline Association. Atua como consultora de educação positiva através de atendimentos presenciais em grupo (Rio de Janeiro) e individuais online. Ministra cursos, palestras e workshops sobre Disciplina Positiva.

Website: http://www.universodascriancas.com.br

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.